sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Era de esperar

A inacreditável atitude do cidadão Mário Vale, levando a tribunal, por um motivo fútil, o Prof. Castro Nunes, cuja filha o seu pai matou em escabrosas circunstâncias sem que chegasse a ser incomodado pela justiça devido à voluntária intervenção do pai da criança, o qual solicitou o arquivamento do processo, renunciando deste modo à correspondente e vultosa indemnização pecuniária, a que juridicamente teria legítimo direito, não fez mais do que avivar dolorosas recordações, trazidas à ribalta por tão descabido e caricato gesto do demandante em causa, tanto mais que o dano alegadamente provocado por suposta difaação não vai pecuniariamente além dos 2.000 (dois mil) euros, o valor pedido, que mais parece esmola.
Vendo no filho a sombra do pai que já se havia desvanecido no seu espírito, mas que agora surge das cinzas do passado para de novo o atormentar e lhe inquinar a vida prestes a extinguir-se, pois se trata de um nonagenário de precária saúde, o egrégio catedrático desabafou a sua angústia nos poemas que por aí correm e que passamos a transcrever, dada a sua qualidade literária:
         

          Sempre que vejo o sujeito,
          vem-me à ideia o fulano
          que de um modo desumano
          o meu lar deixou desfeito.

           Tirem-no da minha frente,
            pois sempre que isso acontece
            é como se sucedesse
            a tragédia no presente.

           A atitude que assumiu
           ante mim, veio avivar
           uma dor a dormitar
           que novamente emergiu!

                    

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