terça-feira, 7 de setembro de 2010

A virgem ofendida

A propósito de um julgamento que vai ter lugar no tribunal de Arganil em 6 de outubro, anda por aí uma discussão do caraças sobre o significado do termo "surripiar", utilizado pelo Prof. Castro Nunes acerca do roubo de que foi vítima por arrombamento (abertura sem chave) de uma caixa metálica (cofre) existente nas instalações do museu arqueológico, propriedade sua.  Discute-se o grau de gravosidade do termo utilizado. Até já foi pedido parecer à douta Academia das Ciências. O caso é que, para traduzir o alegado acto em questão, não faltam vocábulos congéneres, ou seja, sinómimos. Senão, vejamos, um pouco ao calha: apossar-se, apoderar-se, deitar a mão, furtar, gamar, pilhar ou pifar, extorquir, espoliar, desviar, bifar, rapinar, saquear, subtrair, tirar, empalmar, catrafilar, abafar, etc., etc. Ou não se tratasse do país que somos! O certo é que, feita a análise semântica dos termos, acaba por se constatar que o menos gravoso é precisamente "surripiar", tal como "sorriso" é uma espécie de "riso" por baixo do bigode. É que o prefixo "sub" imprime aos vocábulos um certo grau de imprecisão. "Mutatis mutandis", o termo subrectangular não quer dizer propriamente rectangular, mas tendencialmente rectangular. Ora "surripiar". do ponto de vista etimológico, está conotado com o verbo latino "rápere", base de "raptare" , que por sua vez dá "roubar" em português. Donde se conclui, feitas as contas, que no domínio das "artes de furtar" (Padre António Vieira) a palavra "surripiar" (roubar à surrelfa, sen consentimento ou conhecimento do dono) é, desde logo, o termo infinitamente menos gravoso. É ou não é?

1 comentário:

Anónimo disse...

Parece que vosmecê é mesmo filólogo, carago! FONTINHA